Proibição do Counter-Strike (Game over!)
Janeiro 31, 2008 de Daniel Mazza

A antiga guerra entre liberdade individual e Estado se renova na proibição da nova versão do jogo para computador Counter-Strike e EverQuest. Veja no site do PROCON - Goiás:
Em cumprimento de decisão judicial proferida pelo Juízo da 17a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, válida em todo o território nacional, nos autos da Ação Civil Pública n° 2002.38.00.046529-6, o PROCON/GO está apreendendo no Estado de Goiás os jogos virtuais de vídeo-games e computadores: “Counter-Strike” e “Everquest”, que foram considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. (…)
Você reparou que existem diversos jogos violentos sendo vendidos nas lojas de informática e os únicos proibidos são os que denunciam a realidade brasileira? Porque não proibiram Doom, Quake ou Unreal? Lembra que a primeira polêmica com o CS ocorreu também quando começaram a surgir cenários em favelas cariocas?
Se o Estado proíbe ao indivíduo o recurso à injustiça, não é porque queira suprimir a injustiça, mas porque quer monopolizar esse recurso, como monopoliza o sal e o tabaco. O Estado em guerra permite-se todas as injustiças, todas as violências, a menor das quais desonraria o indivíduo.
(Ensaios de psicanálise)
Freud
A verdade é que a “violência” é só um pretexto. Toda vez que se percebe o potencial que um jogo tem de revoltar a população contra o governo, de trazer à luz a irresponsabilidade de nossos governantes, de denunciar para o mundo a piada de mau gosto que o Brasil é, eles proíbem. Não foi o mesmo motivo com o War in Rio? Por que diabos proibir aquele joguinho inofensivo? Se tanto esforço fosse feito para proibir a violência na realidade duvido que na fantasia fosse considerada tão grande problema. O jogo cruel que é nossa realidade deve mudar através de soluções reais, não meramente fictícias.
“Por que jogos violentos vendem tendo?” Esse é o tipo de pergunta que os interessados em resolver o problema perguntam primeiro. Por que os desenhos-animados violentos interessam mais as crianças? Porque o Brasil produz mais filmes sobre violência do que de qualquer outro gênero? E por que os livros sobre miséria, sofrimento, abusos e toda sorte de violência estão sempre entre os best-sellers mundiais? Dizer que esse interesse é apenas dos jovens ou proibi-las de trabalhar na fantasia as informações que recebem do mundo real como tambem fazem os adultos, isso, sim, é um ato criminoso, principalmente num país onde o noticiário é pior que o próprio Counter-Strike!
Quero, portanto, convidar o leitor a fazer o que o Estado pretende proibi-lo: revoltar-se, mover-se, pensar por si mesmo. Seja através de um jogo, de uma conversa engajada ou de estudo perceba que temos de mudar as regras do jogo nós mesmos. Participe ou incentive o protesto que ocorrerá em São Paulo no próximo dia 2 contra essas proibições arbitrárias.
De fato, somos uma liberdade que escolhe, mas não escolhemos ser livres: estamos condenados à liberdade.
(O ser e o nada)
Sartre
Links:
Proibição no PROCON - Goiás.
Blog Liberdade Gamer (com vários posts sobre o assunto)
Na Wikipédia
Charge sobre o tema